## Capítulo 29: Zack Deve Morrer (Zack Vs Tobi)
O ar na sala de refúgio era pesado, denso com o cheiro de ervas medicinais e o suor frio do medo. Orpheus estava de pé, imóvel, mas seu corpo traía a calma aparente. Um aperto gélido e lancinante em seu cora??o o fez cambalear. Suas m?os tremiam incontrolavelmente, e um suor frio escorria por sua testa. Era um medo primitivo, visceral, a sensa??o de estar à beira de um abismo, prestes a ser engolido por algo maior e mais terrível do que qualquer monstro que já havia ca?ado.
Com um movimento brusco, ele sacou sua katana, Coyote. O metal frio em sua m?o era um ancora, um lembrete de sua realidade. No fundo, ele sabia o que estava sentindo. Era o medo que n?o vinha dele, mas que reverberava de uma fonte conhecida: seu mestre, Zack.
Orpheus fechou os olhos, e a memória do dia em que foi salvo da escravid?o o atingiu com a for?a de um trov?o. A mesma energia esmagadora, descontrolada, que agora vibrava no ar. Ele se lembrou do terror nos olhos dos seus captores, do panico que se espalhou como uma praga. Naquele dia, ele sentiu na pele o porquê de todos temerem o nome de Zack. E agora, ele sentia a mesma fúria, a mesma sede de aniquila??o, mas amplificada, distorcida pela dor.
Um toque leve e frágil em sua m?o o trouxe de volta. Era Lyra. Ela estava deitada, coberta por pergaminhos de cura que brilhavam com uma luz suave e esverdeada. Seus olhos estavam fechados, mas seus lábios se moviam em um sussurro quase inaudível.
Orpheus se ajoelhou, aproximando o ouvido de sua boca. A voz dela era um fiapo, um sopro de vida lutando contra a escurid?o.
"Black Moon voltou, para Zack," ela sussurrou, e a frase carregava o peso de uma profecia.
Lyra tossiu, um som seco e doloroso, e cuspiu um filete de sangue que manchou o pergaminho. Com um esfor?o sobre-humano, ela abriu os olhos. Eram lindos, de um azul profundo, mas agora estavam turvos e cheios de uma urgência desesperada. Eles se fixaram nos de Orpheus.
"Pare ele antes, se n?o..." A frase se perdeu em um gemido de dor. A energia de Zack, mesmo à distancia, a estava consumindo. Lyra desmaiou, mal conseguindo se manter acordada, mas sua mensagem estava clara.
O medo de Orpheus se transformou em uma resolu??o fria. Algo tinha que ser feito. Ele n?o podia deixar seu mestre se perder na escurid?o. Ele se levantou, a katana Coyote em punho, e correu para a pra?a, o peso da decis?o esmagando seus ombros.
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**A Cidade Enlouquecida (Perspectiva de K)**
K estava na periferia da pra?a, ajudando os sobreviventes. O cenário era de destrui??o total: casas e prédios em ruínas, escombros por toda parte. O cheiro de pólvora e sangue pairava no ar.
O que a horrorizava, no entanto, n?o era a destrui??o física, mas a rea??o dos cidad?os da Cidade Vermelha. Os grandes soldados vermelhos estavam todos na pra?a, mas os cidad?os estavam em uma euforia macabra. Eles comemoravam, gritando "Messias!" e "Skull está voltando!". As pessoas que morreram nos escombros eram ignoradas, seus corpos pisoteados por religiosos seguidores do "Vis?o" que gritavam o nome do Messias.
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A cidade estava tomada por uma felicidade incomum, uma fé inabalável e doentia no Vazio. Aquilo era assustador, medonho. K nunca havia presenciado um culto t?o fanático e desumano.
De repente, ela sentiu. Duas energias colidindo, fortes demais, violentas demais. A luta entre Zack e Tobi era uma tempestade de poder que amea?ava rasgar a cidade ao meio. Seu corpo, treinado para a ca?a, avisava-a: se aproximar era morte certa.
Ent?o, a Lua Vermelha se transformou em Lua Negra.
O eclipse foi total. A luz vermelha que banhava a cidade sumiu, e a escurid?o engoliu tudo. A fé dos cidad?os se apagou. A euforia deu lugar ao panico, e eles se tornaram enlouquecidos, gritando e correndo sem rumo.
K se encostou em uma parede, observando o caos. Ela sentiu a energia de Zack, o poder da Black Moon, e uma reflex?o amarga a atingiu. Ela percebeu que Zack n?o era humano. Ele era um monstro, um ca?ador, um olho negro, mas também uma pessoa bondosa. Um turbilh?o de significados que, no final, parecia n?o ter nenhum. Ela se perguntou se, para estar ao lado dele, eles teriam que se sentir insignificantes.
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**A Dan?a Final e as Memórias de Tobi**
Na pra?a, a luta atingia seu clímax. Zack descia descontroladamente, a Black Moon emanando energia negra. Ele era a imagem de um corvo descendo para ca?ar, a fúria em sua forma mais pura.
Tobi, no ch?o, fechou os olhos. Ele n?o esperava uma técnica daquele nível. Aquilo era contra tudo que ele já tinha visto.
Em sua mente, as memórias vieram como um bálsamo, um último presente antes do fim.
Ele viu uma mulher de olhos negros, cabelos negros e pele escura, com um sorriso lindo como estrelas cadentes. "Isso é amor?" ele se perguntou. "Até mesmo no fim, você me perdoou? Veio me ver pela última vez?"
As memórias da irmandade vieram em seguida: o toque de punho com punho entre Zack e Tobi, a troca de bebidas e conversas, os abra?os alegres com Zack, Nanashi e Momo. Um brinde em um bar velho, sujo, caindo aos peda?os, com corpos ao redor, e a bússola simbolizando a amizade.
Ent?o, a memória dolorosa. Zack atacando soldados, salvando Momo, matando todos que se aproximavam. Tobi estava com uma espada apontada para a garganta, prestes a morrer. Mas Momo, com a espada cravada em seu corpo, sussurrou: "Você n?o precisa de mim, mas eu preciso de você, viva por mim. Te amo para além das estrelas."
Zack atravessou a m?o do soldado ao lado de Tobi, seus olhos vermelhos de raiva. Ele fez a pior escolha: deixar sua melhor amiga morrer para salvar Tobi. E Tobi, em sua dor, o culpou, cospiu e quis matá-lo.
"Sim! Eu sou um monstro, eu me odeio, me odeio! Eu n?o vivi para salvar aqueles iguais a Momo, n?o. Eu vivi para escravizá-los e ca?á-los." A autoconfiss?o de Tobi era um grito silencioso de dor.
Tobi abriu os bra?os, cravando a foice no ch?o com a m?o esquerda. Uma tragada no cigarro, uma risada cansada, uma respira??o funda.
"Momo! Veja, eu vou morrer finalmente! Momo, eu n?o irei para o mesmo lugar que você está! Momo... me perdoa."
Lágrimas escorreram de seus olhos, mas n?o de tristeza, e sim de uma felicidade melancólica. Ele se lembrou que nada foi em v?o.
Tudo se tornou escuro de repente.
**CLACK!** Um barulho de metal e carne. Um som oco.
A cabe?a de Tobi rolou devagar em um ch?o lamacento, enquanto a chuva, que havia come?ado, tornava o ambiente pesado e cruel. Tobi morreu sorrindo, seus olhos azuis iluminando a escurid?o causada pela Black Moon.
Seu corpo permaneceu em pé, com os bra?os abertos, mostrando que um ca?ador nunca morre tocando as costas no ch?o. Um amigo, um irm?o, foi morto por seu próprio irm?o de ca?a. Um fim cruel para um mundo que nada é t?o simples.
A escurid?o se foi do corpo de Zack. A Black Moon n?o tinha mais energia, apenas o eclipse sob Zack.
Zack sentia um profundo vazio, seus olhos fundos, chorando em silêncio. Solu?os de tristeza o consumiam.
Apenas uma frase saiu de sua boca: "Eu quero morrer..."
**Fim do Capítulo.**

