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Capítulo 245 - Alma de Faca

  A respira??o já estava irregular antes mesmo do primeiro toque.

  Uma m?o escorregou pela cintura. A outra subiu pelo abd?men e n?o demorou a encontrar um seio, apertando com curiosidade firme. A pele reagia — calor contra frio, frio contra algo mais profundo.

  O beijo come?ou contido. Depois afundou.

  Asha respondeu no mesmo ritmo, puxando o quadril da outra com for?a suficiente para deixar marcas que só seriam percebidas mais tarde. Seus dedos cravaram na pele escura, e Lina sorriu contra os lábios dela.

  Ent?o estalou.

  Faíscas. Literais, para quem ainda tivesse dúvida.

  Uma rachadura de mana negra escapou entre os corpos, correndo pela pele como um relampago sujo, ramificando-se em veios breves antes de desaparecer. O ar vibrou com cheiro de ferro e oz?nio.

  Asha recuou um palmo.

  A m?o foi direto ao peito.

  — Droga…

  O metal sob a pele estava quente demais.

  Lina n?o soltou. Puxou-a de volta com firmeza quase possessiva e deslizou os dedos até o centro do calor. Ali, pequenas veias negras irradiavam como raízes expostas sob carne fina demais para contê-las.

  Quando tocou, o núcleo respondeu com um pulso.

  A pele de Asha se arrepiou inteira.

  — Você precisa gastar essa energia. Esse negócio vai explodir — Lina comentou, meio sorriso nos lábios, mas olhos sérios demais.

  — O velho me proibiu de usar as armas. — Asha deu de ombros, ainda ofegante.

  Lina aproximou o rosto devagar, ro?ando o nariz no dela antes de sussurrar. Os pequenos chifres arranharam a testa de Asha, e ela recuou um centímetro, num pedido de desculpas quase infantil.

  — Vou ter que te ajudar ent?o.

  Asha revirou os olhos, exagerando uma risada falsa, e se jogou para trás na cama estreita.

  — Você tá longe de ser o suficiente.

  — Que cruel… — Lina murmurou, avan?ando de novo.

  Os lábios mal tinham se encontrado quando um som cortou o ar.

  A porta.

  O olho esquerdo de Asha foi o primeiro a reagir. Abriu e girou t?o rápido que o tapa-olho já frouxo se soltou.

  A pupila ali n?o era comum. Runas microscópicas pulsavam por toda a íris, círculos sobre círculos girando como engrenagens.

  Ela recolocou a tira de couro antes que Lina pudesse comentar.

  — Peguem os martelos. Temos uma entrega em três dias.

  A voz grave veio do corredor.

  Lina ergueu um dedo pedindo silêncio enquanto vestia as cal?as devagar demais para a urgência. Asha franziu o cenho e riu baixo, puxando o casaco sobre o torso ainda quente.

  — Vai você primeiro — Lina murmurou. — Fala que eu t? fazendo comida.

  — Você n?o sabe cozinhar.

  Lina só sorriu e escorregou pela janela como uma sombra.

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  Asha respirou fundo. Bateu nas próprias bochechas duas vezes e abriu a porta.

  O cascudo veio de imediato.

  — Bom dia pra você também, mestre…

  Ela co?ou o topo da cabe?a, fazendo careta.

  O Ferreiro a encarou por um segundo longo demais. N?o olhou para o rosto. Olhou para o peito.

  Estendeu a m?o até poucos centímetros da pele dela.

  — Tá instável.

  — Eu sei…

  — N?o mandei descarregar antes de entrar no Cinzel Silencioso?

  — E como você sugere que eu fa?a isso, velho?

  Outro cascudo, dessa vez mais forte. Asha se inclinou, esfregando o ponto de impacto.

  — Trabalhando — completou o homem enquanto já virava as costas.

  Ela bufou, mas o seguiu.

  Viraram um corredor à esquerda, dois à direita, e emergiram num sal?o amplo onde um forno solitário aguardava ao lado de uma pequena bigorna. Diferente da humildade que a taverna — se é que algum canto ainda mantinha esse propósito — exibia por fora, aquele espa?o era grande o suficiente para que uma eventual explos?o n?o encontrasse paredes facilmente.

  Ferreiro jogou o martelo para a mulher. O metal pesado girou no ar antes de cair firme em sua m?o.

  Ele apontou para o brilho fumegante sob a pele dela.

  — Pode voltar quando isso parar de torrar sua pele.

  — Mas eu nem tomei café!

  O homem apenas grunhiu e fechou a porta.

  O silêncio da forja ficou denso.

  Asha ouviu os passos pesados se afastarem antes de relaxar os ombros.

  Girou o martelo entre os dedos, testando o peso. Acendeu o fogo. As chamas subiram obedientes, lambendo o ar.

  Retirou um pequeno lingote de um cesto e o ergueu à altura dos olhos. Semicerrou as pálpebras. Aproximou-o do rosto e aspirou o cheiro metálico.

  Devagar, removeu a tira do olho esquerdo.

  — Você tem alma de faca.

  Sorriu. Esperou. Martelou.

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  Estou meio sem tempo e n?o est?o saindo resultados bons...

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