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Capítulo 247 - Duas Delas

  O ar ficou pesado demais para palavras.

  A mulher parada na porta era alta, de postura ereta como uma lan?a fincada no ch?o. A capa escura estava rasgada nas bordas, n?o cobrindo a armadura de forma adequada, mas n?o havia desordem nela — apenas uso.

  Olhos firmes. N?o frios.

  Por entre os cabelos escuros cortados rente e a pele marcada por queimaduras antigas, dois chifres torcidos se projetavam para trás, mais austeros que agressivos.

  Lina deu um passo à frente. Punhos fechados. Dentes à mostra.

  Mas no rosto havia carinho.

  — Joana… — a voz saiu baixa. O olhar caiu sobre o mestre taverneiro no ch?o. — Por… que?

  Antes que a primeira lágrima escorresse, Asha passou por ela como um borr?o.

  Lina tentou segurar, mas o reflexo n?o foi o suficiente.

  A faca negra subiu em linha reta para a abertura da armadura como uma flecha.

  Faíscas explodiram quando a lamina raspou no peitoral.

  Joana já n?o estava ali.

  O olho rúnico girou antes do resto. A lamina o obedeceu, descendo em diagonal, depois subindo numa finta baixa.

  Passou a um fio da garganta da invasora, que desviou com um meio passo. Ela observou Asha de perto por um segundo antes do estandarte branco que carregava cortar o ar em dire??o ao seu est?mago.

  A m?o da ferreira já estava na rota do ataque. O impacto acertou o a?o feito uma marreta.

  O mundo virou.

  O corpo atravessou o sal?o e encontrou a parede a uma dezena de metros atrás.

  Caiu de joelhos, ofegante. Olhou para a invasora, depois para seu mestre caído. Quando notou pequenas bolhas se formando no sangue que escorria de sua boca, soltou o ar que nem sabia que segurava.

  Joana bufou. Um sorriso surgiu em seu rosto, mas estava longe de ser por deboche.

  Girou o estandarte uma única vez e o fincou no ch?o.

  O som reverberou pelo sal?o.

  Uma fuma?a fina se espalhou antes que qualquer um pudesse reagir. Saía pela base do tecido — t?o densa que n?o subia mais que meio metro.

  Quando Asha puxou o ar, seu peito ardeu. Logo, seu corpo.

  Cada músculo se contraiu e se soltou repetidamente, esmagando sua carne.

  Nunca se sentiu t?o viva.

  A guerreira respirou fundo também. Bateu um punho no outro e seu sorriso se alargou. Ent?o avan?ou.

  Asha se ergueu como p?de. Procurou a faca, mas n?o tinha ideia de para onde tinha voado.

  Grunhindo, avan?ou do mesmo jeito.

  Seu olho esquerdo voltou a girar. O punho voou na mesma dire??o do punho da oponente.

  — Parem!

  Lina se jogou entre as duas.

  Os olhares que antes ardiam passaram de sedentos a assustados.

  Ela fechou os olhos, pronta para o impacto. Ele nunca veio.

  Asha se lan?ou para o lado, rolando no ch?o com um baque pesado. Joana ajustou o pé no último segundo, desviando o golpe para o vazio.

  — Tá louca? — murmurou a guerreira, puxando o estandarte do ch?o. — Isso é pedir pra morrer.

  Lina abriu os olhos devagar. Respirou fundo ao perceber que ainda estava inteira.

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  — Louca quem tá é você. O que foi tudo is…

  O estandarte foi em sua dire??o antes de terminar a frase.

  N?o como ataque, foi apenas jogado.

  Ela o agarrou por reflexo, assustada. Logo ao lado, Asha já estava de pé outra vez, postura baixa, passos cautelosos.

  — Preciso que arrume. Tá rachando. — A voz de Joana n?o subiu um tom sequer.

  Lina piscou, confusa.

  — E precisava matar ele?!

  — Sim.

  — Sim? — Lina repetiu, sem entender.

  Joana deu de ombros.

  — N?o me deixou te ver. Ainda me chamou de assassina. Vê se pode.

  Lina e Asha trocaram um olhar rápido. A ferreira apertou os dentes.

  Joana continuou, agora um passo mais próxima.

  — No fim, a verdadeira assassina tá aqui. O que você tá fazendo com essa mulher, Lina?

  Ficaram quietas. O crepitar do fogo foi o único a ousar tomar a frente.

  Asha respirou fundo. Tirou o elástico do cabelo e o prendeu novamente em um coque menos desorganizado que o anterior.

  “N?o acho que vou conseguir esfaquear ela. N?o hoje.”

  Grunhiu e riu de si mesma. Relutante, encarou Joana de frente.

  — Assassina?

  A guerreira riu alto e colocou as m?os na cintura. Ao invés de responder, se virou para Lina.

  Diferente da boca, os olhos estavam sérios.

  — O que tá acontecendo aqui?

  A artes? recuou um passo com um sorriso falso.

  Asha segurou a m?o dela antes que pudesse fugir.

  — Ela n?o sabe — Lina resmungou por fim.

  Joana n?o respondeu.

  — T? falando sério! Eu e o mestre encontramos ela quase morta na montanha faz dois meses. N?o lembra de nada antes disso.

  A m?o de Asha apertou a dela instintivamente. Lina apertou de volta.

  Joana acompanhou o gesto.

  O cenho franziu.

  Encarou a ferreira de cima a baixo. Fechou os olhos quando um arrepio percorreu sua espinha por dentro da armadura.

  Quando abriu os olhos outra vez, n?o havia dúvida neles.

  — Duas delas…

  Os punhos se fecharam. A manopla raspou a?o contra a?o, vibrando.

  — Você consumiu duas das minhas irm?s.

  — Eu… o quê? — Asha piscou.

  Joana deu um passo à frente. Sua testa encostou contra a dela.

  O cheiro de fuma?a e ferro misturou-se à respira??o de Asha.

  — N?o só matou. — A voz ficou mais baixa. Mais pesada. — Consumiu.

  O corpo dela pressionou mais forte.

  O núcleo sob a pele de Asha pulsou. Sentiu que n?o podia respirar.

  A m?o subiu instintivamente até o metal instável.

  “Dói… Dói demais…”

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  Estou meio sem tempo e n?o est?o saindo resultados bons...

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