O ar ficou pesado demais para palavras.
A mulher parada na porta era alta, de postura ereta como uma lan?a fincada no ch?o. A capa escura estava rasgada nas bordas, n?o cobrindo a armadura de forma adequada, mas n?o havia desordem nela — apenas uso.
Olhos firmes. N?o frios.
Por entre os cabelos escuros cortados rente e a pele marcada por queimaduras antigas, dois chifres torcidos se projetavam para trás, mais austeros que agressivos.
Lina deu um passo à frente. Punhos fechados. Dentes à mostra.
Mas no rosto havia carinho.
— Joana… — a voz saiu baixa. O olhar caiu sobre o mestre taverneiro no ch?o. — Por… que?
Antes que a primeira lágrima escorresse, Asha passou por ela como um borr?o.
Lina tentou segurar, mas o reflexo n?o foi o suficiente.
A faca negra subiu em linha reta para a abertura da armadura como uma flecha.
Faíscas explodiram quando a lamina raspou no peitoral.
Joana já n?o estava ali.
O olho rúnico girou antes do resto. A lamina o obedeceu, descendo em diagonal, depois subindo numa finta baixa.
Passou a um fio da garganta da invasora, que desviou com um meio passo. Ela observou Asha de perto por um segundo antes do estandarte branco que carregava cortar o ar em dire??o ao seu est?mago.
A m?o da ferreira já estava na rota do ataque. O impacto acertou o a?o feito uma marreta.
O mundo virou.
O corpo atravessou o sal?o e encontrou a parede a uma dezena de metros atrás.
Caiu de joelhos, ofegante. Olhou para a invasora, depois para seu mestre caído. Quando notou pequenas bolhas se formando no sangue que escorria de sua boca, soltou o ar que nem sabia que segurava.
Joana bufou. Um sorriso surgiu em seu rosto, mas estava longe de ser por deboche.
Girou o estandarte uma única vez e o fincou no ch?o.
O som reverberou pelo sal?o.
Uma fuma?a fina se espalhou antes que qualquer um pudesse reagir. Saía pela base do tecido — t?o densa que n?o subia mais que meio metro.
Quando Asha puxou o ar, seu peito ardeu. Logo, seu corpo.
Cada músculo se contraiu e se soltou repetidamente, esmagando sua carne.
Nunca se sentiu t?o viva.
A guerreira respirou fundo também. Bateu um punho no outro e seu sorriso se alargou. Ent?o avan?ou.
Asha se ergueu como p?de. Procurou a faca, mas n?o tinha ideia de para onde tinha voado.
Grunhindo, avan?ou do mesmo jeito.
Seu olho esquerdo voltou a girar. O punho voou na mesma dire??o do punho da oponente.
— Parem!
Lina se jogou entre as duas.
Os olhares que antes ardiam passaram de sedentos a assustados.
Ela fechou os olhos, pronta para o impacto. Ele nunca veio.
Asha se lan?ou para o lado, rolando no ch?o com um baque pesado. Joana ajustou o pé no último segundo, desviando o golpe para o vazio.
— Tá louca? — murmurou a guerreira, puxando o estandarte do ch?o. — Isso é pedir pra morrer.
Lina abriu os olhos devagar. Respirou fundo ao perceber que ainda estava inteira.
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— Louca quem tá é você. O que foi tudo is…
O estandarte foi em sua dire??o antes de terminar a frase.
N?o como ataque, foi apenas jogado.
Ela o agarrou por reflexo, assustada. Logo ao lado, Asha já estava de pé outra vez, postura baixa, passos cautelosos.
— Preciso que arrume. Tá rachando. — A voz de Joana n?o subiu um tom sequer.
Lina piscou, confusa.
— E precisava matar ele?!
— Sim.
— Sim? — Lina repetiu, sem entender.
Joana deu de ombros.
— N?o me deixou te ver. Ainda me chamou de assassina. Vê se pode.
Lina e Asha trocaram um olhar rápido. A ferreira apertou os dentes.
Joana continuou, agora um passo mais próxima.
— No fim, a verdadeira assassina tá aqui. O que você tá fazendo com essa mulher, Lina?
Ficaram quietas. O crepitar do fogo foi o único a ousar tomar a frente.
Asha respirou fundo. Tirou o elástico do cabelo e o prendeu novamente em um coque menos desorganizado que o anterior.
“N?o acho que vou conseguir esfaquear ela. N?o hoje.”
Grunhiu e riu de si mesma. Relutante, encarou Joana de frente.
— Assassina?
A guerreira riu alto e colocou as m?os na cintura. Ao invés de responder, se virou para Lina.
Diferente da boca, os olhos estavam sérios.
— O que tá acontecendo aqui?
A artes? recuou um passo com um sorriso falso.
Asha segurou a m?o dela antes que pudesse fugir.
— Ela n?o sabe — Lina resmungou por fim.
Joana n?o respondeu.
— T? falando sério! Eu e o mestre encontramos ela quase morta na montanha faz dois meses. N?o lembra de nada antes disso.
A m?o de Asha apertou a dela instintivamente. Lina apertou de volta.
Joana acompanhou o gesto.
O cenho franziu.
Encarou a ferreira de cima a baixo. Fechou os olhos quando um arrepio percorreu sua espinha por dentro da armadura.
Quando abriu os olhos outra vez, n?o havia dúvida neles.
— Duas delas…
Os punhos se fecharam. A manopla raspou a?o contra a?o, vibrando.
— Você consumiu duas das minhas irm?s.
— Eu… o quê? — Asha piscou.
Joana deu um passo à frente. Sua testa encostou contra a dela.
O cheiro de fuma?a e ferro misturou-se à respira??o de Asha.
— N?o só matou. — A voz ficou mais baixa. Mais pesada. — Consumiu.
O corpo dela pressionou mais forte.
O núcleo sob a pele de Asha pulsou. Sentiu que n?o podia respirar.
A m?o subiu instintivamente até o metal instável.
“Dói… Dói demais…”
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Estou meio sem tempo e n?o est?o saindo resultados bons...

