home

search

Capítulo 248 - Estrada Branca

  Carro?as n?o andam bem na neve.

  Balan?am, rangem, atolam. Péssimos lugares para manter alguém dormindo.

  Ainda assim, Asha acordou dentro de uma.

  Demorou um pouco para abrir os olhos. Naquele mundo branco, a luz doía quando se olhava direto para ela.

  Apalpou o próprio corpo. Nenhuma dor.

  Sentou devagar.

  O interior da carro?a n?o era grande, mas estava cheio. Uma caixa com roupas, outra com ferramentas e tralhas diversas. Dois barris que, pelo cheiro ácido, deviam guardar frutas em conserva. Nos três últimos, ela apostaria sem medo: hidromel roubado do Cinzel Silencioso.

  Uma pedra no caminho fez a carro?a pular.

  O corpo dela foi junto, batendo a lateral do abd?men em um dos baús.

  — Ngh…

  Resmungou, ajeitando-se no banco.

  à frente dela estavam três pares de chifres.

  Duas mulheres e uma cabra da montanha enorme puxando tudo.

  Lina virou o rosto quando percebeu o movimento. Se apoiou no ombro de Joana e saltou para a parte de trás da carro?a.

  — Finalmente acordou, hein.

  Asha abriu espa?o para ela sentar.

  — Quando eu dormi?

  — Na forja do sal?o. — Lina deu de ombros. — Desmaiou de um segundo pro outro. Tá tudo bem?

  As sobrancelhas de Asha se juntaram.

  Ela lembrava da briga. Do mestre quase sem respirar. Da acusa??o.

  Apertou os lábios.

  — Li… eu matei mesmo suas irm?s?

  A pequena sombra a encarou. Abriu a boca algumas vezes sem falar nada.

  Suspirou.

  — Isso eu n?o sei. — Tocou o peito de Asha com um dedo. — Mas que elas t?o aqui… t?o sim.

  Asha baixou o olhar.

  — Me desculpa…

  — Deixa de ser boba.

  O sorriso de Lina era pequeno. Triste.

  Ela se inclinou e deu um beijo breve no canto da boca de Asha.

  — O que passou, passou. Tenho certeza que teve uma raz?o pra acontecer o que aconteceu.

  — Mesmo assim…

  Lina beijou de novo. Dessa vez cobrindo a boca dela por inteiro.

  — “Mesmo assim” nada. Só esquece isso.

  Asha ficou parada por alguns segundos, indecisa.

  Beliscou os próprios dedos. Suspirou. Deixou o corpo cair contra um barril próximo.

  Quando falou, ainda evitou olhar Lina diretamente.

  — E aí… o mestre tá bem?

  Lina fez uma careta.

  — “Bem” é uma palavra forte… mas tá respirando. O velho é duro de matar.

  — Mas é velho.

  — Você subestima demais ele. — Lina riu. — Uma semana de descanso e ele já vai estar de volta arrumando as ferramentas do pessoal da vila. Cê vai ver.

  Asha revirou os olhos.

  Unauthorized duplication: this narrative has been taken without consent. Report sightings.

  — Arrumando ferramenta o caramba. Vai ca?ar a gente até o fim do mundo quando perceber o quanto você roubou de bebida.

  — Ah, isso eu n?o duvido.

  Lina riu também e encostou a cabe?a no ombro dela.

  Ficaram ali, balan?ando com a carro?a, apreciando o silencioso mundo de neve, até que Asha deu um pequeno tranco de repente.

  Olhou de lado para Lina.

  — Mas e aí… — murmurou. — N?o vai me explicar o que eu t? fazendo numa carro?a de cabra?

  — Tamo sendo sequestrada!

  Asha cruzou os bra?os, mantendo apenas um sorriso torto.

  Já o de Lina se abriu ainda mais.

  Joana, no entanto, foi quem tomou a frente.

  — S?o minhas contratadas.

  — Viu? — Lina sussurrou, fazendo concha com a m?o ao lado da boca. — Sequestro.

  A sombra guerreira bufou e puxou o cabresto.

  A cabra travou as patas na neve.

  A carro?a deu um solavanco seco. Um barril girou meio palmo antes de Lina segurá-lo com o pé.

  Joana n?o se virou. Apenas estendeu a m?o para trás.

  O estandarte deslizou do suporte preso ao arreio do animal.

  Ela o ergueu na dire??o de Asha.

  — Vocês v?o arrumar pra mim. Vou pagar bem, é claro.

  A ferreira n?o respondeu. Estava olhando para o metal.

  A haste branca n?o refletia a luz da neve. Engolia.

  Runas minúsculas percorriam cada trecho como cicatrizes quase invisíveis. Algumas estavam rachadas. Outras pareciam ter sido refeitas tantas vezes que já n?o eram exatamente as mesmas.

  Os olhos de Asha brilharam.

  A m?o dela quase avan?ou sozinha.

  “Nunca vi esse tipo de metal.”

  Percebendo para onde seu corpo estava indo, bateu duas vezes nas próprias bochechas e for?ou o olhar para Joana.

  — A gente tava literalmente numa forja — disse, apontando com o polegar para trás. — N?o podia ter feito isso lá?

  Joana girou o estandarte uma vez antes de prendê-lo novamente no arreio.

  — Podia.

  Puxou o cabresto outra vez.

  A cabra bufou vapor no ar branco.

  — Mas n?o vou poder voltar lá toda vez que isso quebrar.

  Asha inclinou a cabe?a.

  — Toda vez? Uma arma bem feita dura anos.

  Joana sorriu e soltou um grunhido curto.

  — Você n?o tá errada, garota. Mas também n?o tá certa.

  Lina cutucou o bra?o da ferreira com o cotovelo.

  — Essa megera é mercenária de expedi??o.

  — E daí? — murmurou Asha.

  A cabra come?ou a andar outra vez, abrindo caminho na neve profunda.

  Joana respondeu sem olhar para trás.

  — E daí… — Puxou o cabresto com mais for?a — que armas e guerra têm uma rela??o complicada.

  Uma roda afundou na neve antes de voltar a girar.

  Quer apoiar o projeto e garantir uma cópia física exclusiva de A Eternidade de Ana ? Acesse nosso Apoia.se! Com uma contribui??o a partir de R$ 5,00 , você n?o só ajuda a tornar este sonho realidade, como também faz parte da jornada de um autor apaixonado e determinado. ??

  Venha fazer parte dessa história! ??

  Apoia-se:

  Discord oficial da obra:

  Galeria e outros links:

  Ficaremos sem imagens por um tempo, mas logo voltarei a postar!

  Estou meio sem tempo e n?o est?o saindo resultados bons...

Recommended Popular Novels